Maior batalha de Luke Cage é provar que estupro não é culpa da vítima

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Levar tiros de Judas é fácil. Difícil é mudar a percepção de uma pessoa.

Luke Cage é um seriado da Marvel que segue o sucesso de Demolidor e Jessica Jones. Exclusivo na Netflix, ele conta a história de um homem que tem tem dois superpoderes: força sobre-humana e, o principal, imunidade contra tiros – bem ao estilo Superman, com a diferença de que ele não é um branco de olhos claros, e, sim, um homem negro que mora na periferia.

Mas não é só a luta pela representatividade que marca o seriado. Há algo de igual importância, que é retratado com um sutileza exemplar. (Cuidado, spoiler que não compromete a trama a seguir). Sem entrar em muitos detalhes, um dos personagens acusa uma mulher de ter sido culpada pelo estupro que sofreu na adolescência. Ele insinua que ela ocasionou isso ao andar seminua pela casa. “Você queria aquilo”, diz.

Mariah

Essa percepção – bem pouco empática, aliás – é compartilhada por um terço dos brasileiros, segundo uma pesquisa recente realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Esse levantamento mostra que 37% concordam com a frase “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”, percentual que chega a 42% entre os homens, e 30% acreditam que a “mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”.

No seriado, porém, a moça não hesita em combater a acusação com todas as suas forças, perdendo completamente o controle sobre suas ações.

O que ela faz ali não é correto. Matar alguém nunca é a decisão correta a se tomar. Essa reação exagerada, artística, dá vazão ao sentimento que invade a cabeça de uma vítima de estupro quando acusada de ter provocado o crime.

O que Luke Cage deixa claro para a geração de jovens fãs da Marvel (muitos deles homens), que irão assistir ao seriado ao longo dos próximos anos, é o seguinte: nunca é culpa da vítima. A arte imita a vida e vice-versa. Luke Cage já merece a sua atenção por demonstrar claramente que se preocupa não só com os direitos iguais para negros na sociedade, mas também com o direito das mulheres serem quem são sem que sejam acusadas como culpadas pelos crimes cometidos por homens mentalmente doentes.

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